A desconstrução das expectativas tradicionais do gênero
O cinema de ação e ficção científica contemporâneo acostumou o público a uma estrutura rígida: heróis moralmente incorruptíveis enfrentam ameaças apocalípticas em nome do bem maior. Espera-se, quase sempre, um espetáculo de cooperação e altruísmo. No entanto, Thunderbolts* chega aos cinemas em 2025 com a proposta deliberada de frustrar essa expectativa de pureza heroica. Ao invés de uma aliança harmoniosa, o longa-metragem dirigido por Jake Schreier reúne figuras marginalizadas que operam nas sombras da moralidade, transformando o tradicional heroísmo em um exercício de sobrevivência e pragmatismo.
A força de um elenco disfuncional sob a direção de Jake Schreier
O grande acerto da direção de Jake Schreier é não tentar suavizar as arestas de seus protagonistas. A narrativa se apoia fortemente na química tortuosa de seu elenco. Florence Pugh entrega uma Yelena Belova marcada pelo cinismo e pela melancolia, servindo como o centro gravitacional do grupo. Ao seu lado, Sebastian Stan reprisa Bucky Barnes com a habitual sobriedade de quem carrega décadas de traumas. A interação entre eles e figuras como o instável John Walker (Wyatt Russell) e o decadente Alexei Shostakov (David Harbour) afasta a produção das fórmulas de equipe tradicionais. Completam o grupo Ava Starr (Hannah John-Kamen) e Antonia Dreykov (Olga Kurylenko), cujas habilidades físicas servem a propósitos muito menos nobres do que a salvação pública.
Essa reunião não ocorre por idealismo, mas por imposição de Valentina Allegra de Fontaine, interpretada com inteligência corporativa por Julia Louis-Dreyfus. A presença enigmática de Robert Reynolds, vivido por Lewis Pullman, introduz o elemento de ficção científica que desestabiliza as forças em jogo, funcionando como o catalisador de uma tensão constante que permeia os 126 minutos de projeção.
O equilíbrio entre o espetáculo físico e o desgaste psicológico
Visualmente, o filme entrega as sequências de combate tático e perseguições que o gênero de aventura exige, mas o faz com uma crueza que remete mais ao suspense de espionagem do que à fantasia. A ação é física, dolorosa e muitas vezes desajeitada, refletindo a falta de sincronia inicial da equipe. Não há o deslumbramento visual das grandes epopeias espaciais; em vez disso, a fotografia prioriza ambientes industriais, sombras e uma atmosfera de constante desconfiança.
Com uma média de 7.3/10 no TMDB, o filme se
