Três homens em busca de um lar
Através dos anos, muito se falou sobre a perda da tradição estadunidense no cenário cinematográfico contemporâneo. É sob essa ótica que podemos analisar "Bonanza", uma série criada por David Dortort e lançada em 1959, cuja longevidade já é um dos indicativos de sua habilidade em representar os anseios da sociedade norte-americana na época.
Mãe e filhos: uma relação complexa
Lorne Greene, ao interpretar o matriarca Ben Cartwright, traz para a tela um homem de inúmeras facetas. Pai que busca reconstruir sua vida após a perda dos outros dois filhos em combate, senhor com autoridade e respeitabilidade que lidera seu rancho à beira do rio da alta Sierra, ou simples homenzinho preocupado com os problemas domésticos e filhos. É através de essa complexidade que o espectador é convidado a refletir sobre suas próprias experiências familiares. Os três outros atores principais se mostram também habilidosos em desenvolver as suas relações entre si, bem como no relacionamento com o Ben.
A ideia do ideal
"Bonanza" faz parte de um gênero mais amplo de programas de televisão denominado "far-west". O cenário é claramente inspirado nos filmes e séries de ficção dos Estados Unidos daquela época — mas, em vez de ser simplesmente uma homenagem, David Dortort desenvolveu a história com um olhar mais profundo sobre as relações sociais do seu tempo. Isso se evidencia não apenas na forma como os personagens lidam mutuamente suas desavenças e disputas, também está na maneira que o rancho de Ben Cartwright funciona como uma espécie de refúgio para aqueles perdidos pela estrada da vida.
Uma família por escolha
Aqui é onde "Bonanza" realmente se distingue. Ao invés de usar somente a regra do código de honor para resolver conflitos, o programa explora as relações sociais e familiares mais de perto, mostrando que não só os parentes biológicos podem criar uma família unida. A maneira como os personagens desenvolvem suas interações entre si e com Ben Cartwright é impressionante em sua sutileza.
