Terror ao ritmo das cordas
Pergunte-me: qual a associação mais imediata entre música e terror? Talvez um concerto apocalíptico, como da banda Ghost. Outra: o medo de estar em uma plateia onde os outros espectadores começam a mostrar sinais de loucura por causa de algum som que não está nos planos. Não é desses filmes de terror que estamos falando aqui.
V/H/S/Mixtape traz para nós um conceito diferente, mas igualmente marcante. Em Frame Narrative, nosso personagem principal é um cozinheiro de fast food que recebe um velho gravador VHS de seu falecido pai. Este contém uma fita com um mix de álbuns completos de algumas bandas conhecidas desde a década de 80, mas algo está errado na música.
O som do filme alterna entre momentos surrealistas e momentos claríssimos nos que as pessoas assistem a concertos ao vivo do qual participou o personagem principal. De repente, a melodia mais tranquila passa a gritar com um volume açoitando ou é como se uma banda começasse a tocar sem parar por minutos, deixando seus fãs em choque.
Essas transições não são apenas entre diferentes músicas ou faixas de cada álbum, mas também entre diferentes gêneros musicais. A ideia aqui foi criar uma obra coletiva que misturasse música e terror como fontes principais do material, com diretores bem conhecidos na área como RZA - da banda Wu-Tang Clan, para Flying Lotus, o mais experiente em abordar tramas de hip-hop e eletrônica.
Cada um dos diretores da obra contribuiu com seu próprio olhar sobre como a música pode ser usada para transmitir medo. Isso resultou em várias tramas não sequenciais que se confundem, mantendo o espectador confuso quanto ao que realmente está acontecendo na tela.
O tom é sombrio, mas, por certo, ele não é sombrio como aquele de Fellini, e sim mais sinistro. E nem parece haver necessidade de muita explicação, ou então o público possa seguir à risca a história contada no filme.
